Bahá'u'lláh: Manifestação de Deus

O Santuário do Báb em Haifa, Israel.
O Santuário de Bahá'u'lláh, em Bahjí,
perto de Acre, Israel.

"A fisionomia daquele a quem fitava, jamais a poderei esquecer, embora não possa descrevê-la. Aqueles olhos penetrantes pareciam ler-nos a própria alma; poder e autoridade residiam naquela testa larga... Escusado era perguntar na presença de quem estava, enquanto me curvava diante daquele que é objeto de uma devoção e um amor que os reis poderiam invejar e os imperadores almejar em vão!"

Bahá'u'lláh foi descrito dessa forma pelo renomado orientalista da Universidade de Cambridge, Edward Granville Browne, em 1890. Bahá'u'lláh havia sido, então, um prisioneiro e exilado por quase quarenta anos, e Seus ensinamentos permaneciam envoltos em obscuridade; hoje, Ele é reconhecido por milhões de seguidores em todo o mundo como a Manifestação de Deus ou o Mestre Divino para esta era. De acordo com a crença bahá'í, as Manifestações de Deus, como Moisés, Abraão, Cristo, Maomé, Krishna e Buda, têm surgido em intervalos ao longo da história para fundar os grandes sistemas religiosos do mundo. Esses Luminares têm sido enviados por um Criador amoroso para capacitar-nos a conhecê-Lo e adorá-Lo e a levar a civilização humana a níveis cada vez mais elevados de realizações.

  A posição dessas Manifestações é ímpar em toda a criação. Sua natureza essencial é dual: eles são ao mesmo tempo humanos e divinos. Não são, entretanto, idênticos a Deus, o Criador, que é Incognoscível. A respeito de Deus, Bahá'u'lláh escreveu: 

Ele, verdadeiramente, por toda a eternidade, foi Um só em Sua essência, Um só em Seus atributos, Um só em Suas obras. Toda e qualquer comparação é aplicável somente às Suas criaturas; todos os conceitos de associação são conceitos que pertencem exclusivamente àqueles que O servem. Imensuravelmente exaltada é Sua Essência acima das descrições de Suas criaturas. Ele, só, ocupa o Assento de transcendente majestade, de glória suprema e inatingível. As aves dos corações humanos, por mais alto que voem, não podem esperar atingir jamais as alturas de Sua incognoscível Essência. Ele foi Quem chamou para a existência a criação inteira, Quem fez surgir, a Seu mando, cada coisa criada.

Além disso, dirigindo-se a Deus em uma oração, Bahá'u'lláh diz: 

Exaltado, imensuravelmente exaltado és Tu acima de qualquer tentativa de medir a grandeza de Tua Causa, acima de qualquer comparação que se busque fazer, acima dos esforços da língua humana de expressar sua significação! Desde a eternidade tens existido, Tu somente, sem ninguém mais além de Ti, e haverás, por toda a eternidade, de permanecer o mesmo, na sublimidade de Tua essência e nas alturas inatingíveis de Tua glória.

 E quando tencionaste fazer-Te conhecido aos homens, revelaste sucessivamente as Manifestações de Tua Causa, e ordenaste fosse cada uma delas um sinal de Tua Revelação em meio a Teu povo e a Aurora de Teu Ser Invisível entre Tuas criaturas...

Descrevendo a relação entre as Manifestações de Deus e Seu Criador, Bahá'u'lláh utiliza a analogia do espelho: Deus é como o Sol, e as Manifestações de Deus são como Espelhos que refletem a luz divina -- mas não devem de modo algum ser confundidos com o próprio Sol: 

Esses Espelhos santificados... são, todos Eles, os Expoentes na Terra dAquele que é o Orbe central do universo, sua Essência e seu Propósito final. DEle recebem o conhecimentoe o poder; dEle derivam a soberania. A formosura que lhes adorna o semblante é apenas um reflexo de Sua imagem, e sua revelação, um sinal de Sua glória imortal.

A mensagem principal de Bahá'u'lláh para a humanidade desta era é a da unidade e justiça. "A mais amada de todas as coisas, a Meu ver, é a justiça", escreveu Ele, e "A Terra é um só país, e os seres humanos, seus cidadãos", em duas passagens citadas com freqüência. Também afirmou que "O bem-estar da humanidade, sua paz e segurança são inalcançáveis, a não ser que, primeiro, se estabeleça firmemente sua unidade." Essa é a prescrição de Deus, o Médico divino e onisciente, para nosso mundo enfermo.

Embora tais asserções tenham-se tornado parte do pensamento predominante do mundo contemporâneo, podemos apenas imaginar a surpresa que causariam a alguém como E. G. Browne, a quem Bahá'u'lláh dirigiu estas notáveis palavras: 

Vieste ver um prisioneiro e exilado... Só desejamos o bem do mundo e a felicidade das nações; não obstante, consideram-nos instigador de discórdia e sedição, merecedor de cativeiro e banimento... Que todas as nações se tornem uma na fé e todos os homens venham a ser como irmãos; que os laços de afeição e unidade entre os filhos dos homens sejam fortalecidos; que cesse a diversidade de religião, e as diferenças de raça sejam anuladas... que mal há nisso? ... E assim há de ser: essas lutas infrutíferas, essas guerras ruinosas hão de passar, e a 'Paz Máxima' há de chegar...

Nascido em família nobre na Pérsia do século XIX, o destino de Bahá'u'lláh teria tudo para ser de riqueza e conforto. No entanto, desde cedo Ele demonstrava pouco interesse em seguir os passos do pai na corte do Xá, preferindo despender Seu tempo e recursos no auxílio aos pobres. Mais tarde, o fato de abraçar a religião do Báb, que surgiu em 1844 na Pérsia e veio a cumprir as profecias do Islã, fez com que fosse aprisionado e posteriormente exilado. 

Em Seus escritos, o Báb aludira à vinda iminente do Prometido anunciado em todas as religiões mundiais -- e Bahá'u'lláh afirmou ser esse Prometido. "Este é o Rei dos Dias"-- é como Bahá'u'lláh exalta a era que tem testemunhado o advento de Sua Revelação --, "o Dia que testemunhou a vinda do Bem-Amado, Aquele que por toda a eternidade tem sido aclamado o Desejo do Mundo." "Sou Aquele", afirma Ele em outrapassagem, "que a língua de Isaías glorificou, com Cujo nome tanto a Tora como o Evangelho foram adornados." Sobre Si próprio, escreveu: "Nada se vê em Meu templo senão o Templo de Deus, nem em Minha beleza senão Sua Beleza, nem em Meu ser senão Seu Ser, nem em Meu eu senão Seu Eu, nem em Meu movimento senão Seu Movimento, nem em Minha aquiescência senão Sua Aquiescência, nem em Minha pena senão Sua Pena, a Poderosa, Alvo de Todo Louvor. Nada tem sido em Minha alma senão a Verdade, e em Meu Ser coisa alguma se tem visto a não ser Deus." E sobre Sua missão, afirmou Ele: 

E quando a criação inteira foi agitada, e a Terra inteira abalada, e as doces fragrâncias de Teu Nome, o Todo-Louvado, haviam quase deixado de soprar sobre Teus reinos, e os ventos de Tua mercê haviam praticamente silenciado na extensão de Teus domínios, Tu, pelo poder de Tua grandeza, me ergueste entre Teus servos, e me ordenaste manifestar Tua soberania entre Teu povo. Com isso, levantei-me diante de todas as Tuas criaturas, fortalecido por Teu auxílio e Teu poder, e convoquei todas as multidões a Ti, e anunciei Teus favores e Tuas dádivas a todos os Teus servos, e convidei-os a se volverem a este Oceano, de cujas águas cada gota brada, proclamando a todos os que estão no céu e na terra que Ele é, em verdade, a Fonte de toda a vida, e o Vivificador da criação inteira, e o Objeto da adoração de todos os mundos, e o Bem-Amado de todo coração dotado de compreensão, e o Anelo de todos os que estão próximos de Ti.

Foi durante Seu cativeiro inicial que Bahá'u'lláh teve a primeira experiência da revelação divina. Dessa experiência, escreveu: 

Durante os dias em que Me encontrava na prisão de Teerã, embora o peso pungente dos grilhões e o ar fétidomal Me permitissem dormir, ainda assim, nos raros momentos de sono, sentia como se algo fluísse do alto de Minha cabeça sobre Meu peito, como se fora uma poderosa torrente que se precipitasse sobre a terra do cume de uma montanha altíssima. Todos os membros de Meu corpo, com isso, ardiam em chamas. Em tais momentos, Minha língua recitava o que homem algum poderia suportar ouvir.

Ao longo dos penosos anos de exílio que enfrentou, Bahá'u'lláh revelou passagens divinamente inspiradas que equivalem a mais de cem volumes. Essa revelação compreende textos místicos, ensinamentos sociais e éticos, leis e mandamentos, e uma destemida proclamação de sua mensagem aos reis e governantes do mundo, incluindo Napoleão III, a Rainha Vitória, o Papa Pio IX, o Xá da Pérsia, o Kaiser Guilherme I da Alemanha, o Imperador Francisco José daÁustria, e outros.

O conceito da natureza humana encontrado na revelação de Bahá'u'lláh é de dignidade e nobreza essencial. Em uma passagem, falando com a voz divina, Ele escreve: "Ó Filho do Espírito! Nobre Eu te criei, mas tu te tens rebaixado. Eleva-te, pois, àquilo para que foste criado." Em outra obra, afirma: "Considerai o homem como uma mina rica em jóias de inestimável valor. A educação, tão-somente, pode fazê-la revelar seus tesouros e habilitar a humanidade a tirar dela algum benefício." Toda pessoa, assevera Ele, é capaz de reconhecer a Deus; tudo o que é preciso é um grau de desprendimento: 

Quando o canal da alma humana se purificar de todos os laços obstrutores deste mundo, haverá de perceber, infalivelmente, o alento do Bem-Amado através de imensuráveis distâncias e, guiada por sua fragrância, há de alcançar a Cidade da Certeza e nela ingressar.

 ... Essa Cidade não é senão a Palavra de Deus revelada em cada era e Dispensação. ... Toda a guia, todas as bênçãos, a erudição, a compreensão, a fé e a certeza que foram conferidas a tudo o que existe no céu e na terra, ocultam-se dentro dessas Cidades -- nelas estão entesouradas.

O Filho de Bahá'u'lláh, 'Abdu'l-Bahá, apontado por Ele como Seu sucessor, descreveu a missão do Pai com estas palavras: 

Ele suportou essas tribulações, sofreu essas calamidades e dificuldades a fim de que uma manifestação de abnegação e serviço se tornasse visível no mundo da humanidade; para que a Paz Máxima se tornasse uma realidade; para que as almas humanas viessem a ser como os anjos do céu; para que milagres celestiais se realizassem entre os homens; para que a fé humana fosse fortalecida e aperfeiçoada; para que a preciosa e inestimável dádiva divina que é a mente humana pudesse se desenvolver até o ápice de sua capacidade no templo do corpo; e para que o homem se tornasse o reflexo e a imagem de Deus, conforme revelado na Bíblia: 'Façamos o homem à Nossa imagem'.

Em suma, a Abençoada Perfeição [Bahá'u'lláh] suportou todas essas tribulações e calamidades para que nossos corações se acendessem e tornassem radiantes, nossos espíritos fossem glorificados, nossas faltas se transformassem em virtudes e nossa ignorância em conhecimento; para que pudéssemos alcançaros verdadeiros frutos da condição humana e adquirir graças celestiais; para que, embora peregrinos na terra, pudéssemos percorrer a estrada do reino celestial; para que, embora necessitados e pobres, pudéssemos receber os tesouros da vida eterna. Por tudo isso, Ele suportou essas provaçõese aflições.

Bahá'u'lláh partiu deste mundo terreno em 1892, oficialmente ainda prisioneiro na Palestina. Cem anos depois, em 1992, a comunidade internacional bahá'í observou um Ano Santo para comemorar o centenário de Sua ascensão. Em maio daquele ano, uma delegaçãode milhares de bahá'ís de mais de duzentos países e territórios congregaram-se em Seu santuário, na Terra Santa, para render-Lhe homenagem. Em novembro do mesmo ano, um congresso de cerca de 27.000 seguidores reuniu-se na cidade de Nova York, numa atmosfera de reverência e alegria, para celebrar a inauguração do Convênio de Bahá'u'lláh, o qual tem preservado a unidade de Sua Fé desde seu início. Além disso, divulgou-se nesse mesmo ano especial uma declaração elaborada com o intuito de familiarizar as pessoas em toda parte com os detalhes da vida e missão de Bahá'u'lláh.

Convidamos você a conhecer mais sobre a vida e a missão de Bahá'u'lláh, a examinar as orações e escrituras sagradas reveladas por Ele, e a investigar Sua afirmação extraordinária de ser "o Prometido de Todas as Eras", bem como Sua promessa de um futuro no qual "essas lutas infrutíferas, essas guerras ruinosas hão de passar, e a 'Paz Máxima' há de chegar." 



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